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Pontos vencem o campeonato, sim!

A FIA anunciou ontem, de forma oficial, que voltaram atrás e o regulamento de pontos que valia em 2008 continua sendo a referência para definir o campeão de 2009.

A revisão medida era até esperada por fãs, imprensa e equipes. Principalmente depois de a FOTA ter divulgado que as novas normas feriam o Código Esportivo Internacional e o Regulamento Esportivo da FIA.

O que aconteceu, na verdade, foi uma rara inversão sofrida por Bernie Ecclestone. Bom articulador político, o detentor dos direitos da categoria máxima do automobilismo nem sempre é contrariado pela FIA e geralmente consegue o que quer. Vez por outra faz algumas concessões, mas acaba atingindo o seu objetivo principal. Desta vez tomou uma inversão das equipes. E, pessoalmente, mesmo que as regras ainda estejam na pautas para 2010, há todo um ano para discussões e revisões. Bem melhor que implantar uma regra ditatorialmente como estavam fazendo

Pontos não vencem mais campeonato

A FIA anunciou hoje que a definição do título da Fórmula 1 será diferente a partir deste ano. Os pontos continuam sendo contados no mesmo sistema, 10 ao vencedor, 8 ao segundo, etc., etc.  No entanto, ao final da temporada, será contabilizado qual o piloto que conquistou mais vitórias e não o que tiver mais pontos. A pontuação serviria para critério de desempate e para definir do segundo colocado para trás.

A desculpa é que assim, os pilotos lutariam mais por vitórias, já que os 8 pontos do segundo colocado não serviriam para muita coisa na disputa pelo título.

Uma hipótese: Rubens Barrichello vence seis provas seguidas e marca 60 pontos. As outras 10 ele não disputa. Felipe Massa vence cinco das provas restantes e Lewis Hamilton as outras cinco. Ambos terminaram todas as provas na zona de pontuação. Teriam, em média, entre 70 e 90 pontos. O terceiro colocado na pontuação seria o campeão por ter uma vitória a mais, mesmo tendo abandonado o campeonato.

Enfim, li algumas opiniões a respeito, de colegas, alguns gostaram, outros não. Eu, definitivamente, não gostei. Mesmo que no fim o título fique com algum piloto pelo qual tenho simpatia, acho que essa nova regra é arriscada demais.

O campeonato de construtores, por sua vez, continuará inalterado, sendo decidido pelos pontos.

A FOTA (Associação das Equipes de Fórmula 1) divulgou um comunicado assinado pelo seu presidente, Luca di Montezemolo, expressando seu “desapontamento e preocupação pelo fato de [esta decisão] ter sido tomada de maneira unilateral”.

Se a FOTA já está criticando abertamente desta forma, mesmo sendo intransigentes, acho que os conselheiros da FIA podem acabar revendo esta posição até o início da temporada. É difícil, mas não é impossível, já que as montadoras dão a entender que pressionarão a entidade para que se volte atrás.

Mudar é preciso

Bom, chegamos a março, mês da volta da F1, então, hora de tentar sair da geladeira. A semana foi movimentadíssima, com o anúncio da nova equipe, Brawn GP, gerida por Ross Brawn (ex-chefe da Ferrari), que terá Jenson Button e Rubens Barrichello como piloto. Mas, isso não é mais novidade para ninguém.

Indo direto ao que interessa, a FOTA (associação das equipes da Fórmula 1) se reuniu nesta semana em Genebra, na Suíça, onde apresentou uma série de mudanças propostas à FIA. Algumas, se aceitas, entrariam em vigor já neste ano, enquanto outras são para 2010. Hoje vou apontar quais são as primeiras e o que eu acho que vai acontecer (fique claro, puro palpite, pois nunca sabemos o que se esperar da FIA e de Bernie Ecclestone).

Mudanças para 2009:

Mais de 100% de acréscimo de rodagem nos motores, permitindo apenas oito por piloto na temporada inteira.

Ou eu estou ficando muito maluco, ou esta mudança já está no regulamento deste ano.

Redução na usagem do túnel de vento e em um tal de CFD, que ainda estou tentando descobrir o que é.

Não afeta em muito a FIA. Pode ser aprovada, mas não haverá como fiscalizar, parece mais um acordo entre as equipes.

Motores disponíveis em 8 milhões de euros por temporada para cada time.

Se partiu das próprias montadoras, e quem fornece também não deve nada à FIA, deve ser aprovada.

Redução dos testes em até 50%.

A pré-temporada já vem mostrando que nenhuma equipe de ponta vem testando menos que o normal. Apenas Force India, Toro Rosso e a nova Brawn GP não testaram seus carros novos, mas devem estar na pista na semana que vem. No decorrer do ano os testes de verão devem ser extintos.

Nova pontuação. O sistema mudaria de 10-8-6-5-4-3-2-1 para 12-9-7-5-4-3-2-1. Assim, o vencedor de uma prova teria maior vantagem sobre o segundo colocado (dois para três pontos).

Acho que é uma boa. A FIA já vem estudando uma mudança na pontuação das provas, com o Ecclestone sugerindo até o absurdo sistema de medalhas. Pode ser que passe.

Quantidade de combustível e tipo de pneus de cada piloto mostrados ao público no início da prova, bem como as estatísticas de reabastecimento.

Ainda não consegui entender como Ferrari e McLaren chegaram a um consenso neste ponto. Pode ser que a FIA e a FOM aprovem, já que pode gerar um agrado ao público. Eu não concordo, acho que você acaba com a surpresa de tentar saber qual a estratégia cada time está usando.

As outras propostas são mais de cunho comercial e de relações da categoria com a imprensa, como disponibilizar porta-voz para às TVs durante as corridas, melhorar o material divulgado à imprensa e por aí vai.

Ah, a última cria sessões obrigatórias de autógrafos dos pilotos para os fãs, durante os fins de semana de GP. Essa não vou nem comentar, se aprovarem seria até legal, mas imaginem o Kimi Räikkönen em um dia de fúria tendo que dar autógrafo? É ruim, hein!

Mais uma idéia maluca

Acabo de ler no GPUpdate (em português está no Tazio) que o mandachuva da F1, Bernie Ecclestone, fez uma nova proposta às equipes da categoria, visando mantê-las no grid por um longo tempo. A matéria é do jornal britânico Daily Telegraph.

A proposta seria a seguinte, todos têm liberdade para gastar o quanto quiserem, acaba a história de redução de custos, desde que todos se comprometam a ficar na categoria por um prazo entre sete e dez anos e, além disso, as grandes montadoras forneceriam motores e caixas de câmbio a preços acessíveis às equipes menores. O próprio inglês não está lá muito confiante na sua própria ideia, pois diz que é imprevisível saber quando os times vão ou não aceitar alguma coisa.

Bom, partindo da regra de que todas as decisões na Fórmula 1 são tomadas de forma unânime, duvido e muito que isso vá pra frente. Aliás, acho até a proposta meio estúpida. Tem montadoras colocando em dúvida sua participação no campeonato justamente porque têm muitos gastos sem um bom retorno nas pistas. Aí você libera todo mundo pra gastar o que quiser. Contraditório, pois quem já está pensando em sair, não vai querer gastar mais.

Um exemplo prático: a Toyota é sempre colocada como dúvida para os próximos campeonatos, porque não consegue lutar por vitórias, mesmo tendo um orçamento altíssimo. Se eu sou diretor da Toyota e me propõem esta nova regra, a primeira coisa que eu pensaria seria “agora todos os outros vão gastar mais que eu, continuar se desenvolvendo, vai acabar o nivelamento que propuseram ano passado e meus carros vão continuar lá atrás. Eu vou é largar isso antes que me afunde de vez”.

As equipes pequenas então, assinariam este acordo pra quê? Afinal, seria a mesma coisa que abrir mão de uma chance de competitividade, já que obviamente as equipes maiores (a Ferrari, principalmente) iriam gastar fortunas, se desenvolver e dar um banho em todas as outras, como aconteceu recentemente.

Ah, claro, e lembrando que estamos em tempos de crise, o que só me faz pensar o porquê Ecclestone acha que as equipes estão dispostas a gastar mais dinheiro.

O argumento do inglês é que um acordo deste tipo previniria a debandada de equipes como a Honda, pois assinado um documento de comprometimento com a categoria, as montadoras teriam medo de se retirar para não serem processados. Oras, depois do que aconteceu com a McLaren e o caso de espionagem em 2007, que montadora tem medo de ser processada pela FIA?

Bom, finalizando, eu acho tiro no pé, nunca vão aceitar e, se alguns times o fizerem, os outros abandonam o barco de vez. Deve ser apenas mais uma tentativa de Ecclestone manter o circo vivo enquanto o campeonato não começa.

Folga…

Duas semanas conturbadas, por isso esse período em branco aqui no blog. Sei que é burrada, bem na hora que a média de visitação diária estava crescendo, mas fazer o quê?! Também, não tem muito assunto nas últimas semanas…

De novo, só a corrida de kart em Florianópolis, que todo o mundo já sabe que Rubinho ganhou. Eu nem consegui assistir as duas baterias ainda, só parte da primeira (que cacetada do Barrichello no Schumacher hein?).

Fora isso, ainda sobre Barrichello, dizem alguns jornais que ele será chamado pela Honda para testar em Jerez, na semana que vem. O teste serviria para comparar seu desempenho com o de Bruno Senna. Muitos falam em injustiça, mas, que assim seja. Torço muito, seja na Honda, na Toro Rosso, onde for, que ele consiga um lugar para correr no ano que vem.

Li hoje, no GPUpdate, uma notícia sobre o fuzuê que a FIA causou ao propor que a categoria passe a utilizar um motor único para todos os carros. O espanhol Fernando Alonso teria dito que pensaria seriamente em largar a Fórmula 1 caso isso ocorra, em 2010, como quer a entidade. O piloto foi apenas mais um a aprovar a possibilidade. Dirigentes da Ferrari já se manifestaram contra a medida anteriormente.

Enfim, resumindo (bem resumido, mesmo) é isso. Volto nos próximos dias, conforme as coisas forem se acalmando (tomara) e acontecendo no automobilismo. Certeza de novidades, mesmo, só para segunda-feira, já que começam os testes em Jerez.

Até.

Vazio

A FIA costuma demorar a divulgar os resultados de suas reuniões. No ano passado, enquanto a decisão do caso de espionagem envolvendo McLaren e Ferrari não saía, diversos boatos foram surgindo, até sair a punição oficial para os carros prateados, só para ilustrar.

Enfim, estava marcada para hoje uma reunião entre a FIA e a FOTA (entidade que representa os interesses das equipes, presidida por Luca di Montezemolo, da Ferrari), em Genebra, para discutir os rumos da Fórmula 1 em tmpos de crise. Ontem, a FOTA divulgou as propostas que seriam apresentadas à entidade. (Ainda não consegui ler e traduzir o documento, comento depois.)

Pois bem, hoje, após a reunião, foi divulgada uma “declaração” oficial sobre o evento. Segue íntegra, traduzida:

Declaração conjunta FIA e FOTA

O encontro de hoje em Genebra produziu importantes reduções de gastos para 2009 e 2010.
FOTA está trabalhando urgentemente em demais propostas para 2010 e os anos seguintes.”

Sim, eles declararam tudo isso. Não acredita? Está aqui, em inglês: http://www.fia.com/en-GB/mediacentre/pressreleases/f1releases/2008/Pages/fia_fota_statement.aspx

Sobre as propostas, sobre a crise, sobre medidas práticas ou quais são estas importantes medidas, não há nada.



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