Textos categorizados 'Felipe Massa'

Corrida maluca

Alguém aí se lembra daquele desenhinho da Hanna-Barbera, que tinha uma caçambada de pilotos trocando de posição o tempo todo, a liderança mudando toda a hora, mas o vencedor só era definido no finalzinho?

Tirando a história do ganhador aparcer no fim (e a ausência de Penélope Charmosa), o GP da Malásia pareceu, e muito, com a tal animação. Mas não, isso não é uma crítica. É apenas uma comparação para, se você acordou tarde e perdeu, ver que a prova foi movimentadíssima.

Muitas disputas, desde a largada e mesmo antes da chuva torrencial cair. Carros mais leves vindo do fundo, carros ruins que conseguiram uma boa largada. Os KERS, os não-KERS. A corrida vinha sendo sensacional. Até a água cair. Porque caiu feio.

No início até dava para controlar, Glock, inclusive, era o mais rápido na pista com pneus intermediários, quando todos estavam calçados para chuva plena. Só que pouco depois o mundo caiu, os carros começaram a deslizar na pista e resolveram colocar o Safety Car na pista. Que não conseguiu sequer alinhar o pessoal antes da bandeira vermelha.

Foram cerca de 40 minutos para tentar realinhar os carros no grid. Só parece que se esqueceram que Bernie Ecclestone teve a idéia idiota de marcar a prova para às 17h locais. Até haver tempo de a água baixar, o dia teria acabado.

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Esse risco já havia sido corrido nas últimas duas provas. O GP da Austrália deste ano e o GP do Brasil do ano passado. Por aqui a prova foi atrasada em uma hora, terminou às 17h. Só que com a chuva que caía, a visibilidade ficou extremamente prejudicada. Para quem não acredita, é só procurar qualquer foto do pódio, que teve que ser feito com luz artificial.

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Assim, a prova foi encerrada, depois de quase todos os pilotos se posicionarem contra sua continuidade. Kimi Räikkönen que o diga. Enquanto todos os pilotos aguardavam a decisão da FIA no carro, no pitwall ou em outro canto da pista, o ferrarista foi flagrado pela transmissão de bermuda, camiseta, tomando um sorvete e buscando um refrigerante (duro de acreditar, hein?) na geladeira. Sabe das coisas esse finlandês.

Péssimo para Rubens Barrichello que, na atualidade, é um dos melhores, senão o melhor piloto em condição de chuva. O brasileiro estava na quinta posição e, em caso de uma relargada, com todos os carros bem próximos, poderia lutar pela vitória.

De qualquer forma, Jenson Button ficou com a segunda vitória consecutiva – terceira na carreira – e teve a companhia dos alemães Nick Heidfeld e Timo Glock no pódio.

No entanto, como não foram completados 75% da prova, apenas metade dos pontos serão concedidos aos pilotos. Em tempo, Felipe Massa ficou na nona posição e Nelsinho Piquet, na 13ª.

A classificação do GP da Malásia ficou assim (os números mostram os pontos conquistados):

1º Jenson Button – Brawn GP – 5
2º Nick Heidfeld – BMW – 4
3º Timo Glock – Toyota – 3
4º Jarno Trulli – Toyota – 2,5
5º Rubens Barrichello – Brawn GP – 2
6º Mark Webber – Red Bull Racing – 1,5
7º Lewis Hamilton – McLaren – 1
8º Nico Rosberg – Williams – 0,5

Button lidera o campeonato com 15 pontos, seguido por Barrichello, com 10. Jarno Trulli é o terceiro, com 8,5, meio ponto à frente de seu companheiro Timo Glock.

E para terminar com a corrida maluca, como sempre, Dick Vigarista ficou em uma posição intermediária. Entendam como quiserem.

Palpite – GP da Malásia

Bom, ainda há tempo, vamos lá:

Pole-position: Jenson Button
1º: Rubens Barrichello
2º: Jenson Button
3º: Felipe Massa

Fantástico!

Fantástico! Sensacional! Incrível!!

Estava com uma saudade danada da F1. E começar uma temporada desse jeito é bom demais. Quando a corrida chegou na metade, parecia que estava na frente da TV há horas, de tantas coisas que já tinham acontecido.

Dobradinha mais que merecida para a Brawn GP, com Jenson Button vencendo de ponta a ponta e Rubens Barrichello ganhando (literalmente) a segunda posição faltando três voltas para o final. Jarno Trulli, da Toyota, como os Brawn, equipado com o difusor da discórdia, completou o pódio.

Ganhando, porque Vettel e Kubica fizeram a maior lambança, se tocando e arrebentando seus carros no final da prova, disputando a segunda posição. E ainda dizem (eu cheguei a falar isso durante a corrida, inclusive) que o brasileiro não tem sorte.

Felipe Massa sofreu problemas mecânicos – a suspensão dele pareceu ter se partido – e Nelson A. Piquet bateu quando da relargada do Safety Car provocado por um acidente com o Nakajima. Diz o brasileiro que perdeu os freios.

E se eu errei os palpites antes da prova, a cinco voltas do fim fiz a premonição ao meu pai “Rubinho vai ser segundo, o Kubica vai chegar no Vettel e eles se enroscam”. Ele discordou, argumentando que ambos não arriscariam tanto no final. Completei com um “esse alemão é meio maluco, não vai vender fácil não”.

Portanto, pelo chute certeiro, só cobrem metade das minhas falhas no palpite. rsss

Ah, e corrigindo a informação de ontem. Em 1970 Jackie Stewart marcou a pole-position na estreia da March, no GP da África do Sul (na verdade, o time era a Tyrrell, e a March construía o chassis). Mas em 1954, Juan Manuel Fangio havia marcado a pole na estreia da Daimler Benz – equipe da Mercedes – na prova inaugural da equipe alemã, no GP da França.

P.S.: Horariozinho chato pra fazer a corrida na Austrália. Se o sol atrapalha a gente que está assistindo pela TV, imagina guiar um negócio desses a 300 por hora?

Palpites e torcida – GP da Austrália

Bom, na edição deste sábado do Alpha Autos, publiquei o que eu acho que acontecerá na primeira prova do campeonato, contando pole-position e pódio. Vou reproduzir aqui.

Pole-position: Rubens Barrichello

1º: Rubens Barrichello
2º: Jenson Button
3º: Nico Rosberg

Dois palpites adicionais que não entraram no jornal: Hamilton vai bater em alguém e abandonar. Menos de dez carros completam a prova.

E você o que acha que acontecerá? Deixe seus palpites nos comentários e/ou volte após a prova para cobrar que eu errei tudo.

Aproveitando, quero fazer uma pergunta. Nesta nova Fórmula 1, nivelada e cheia de surpresas, para quem você torce que seja o campeão do ano? Se não for brasileiro, deixe o nome do piloto nos comentários.

Pontos não vencem mais campeonato

A FIA anunciou hoje que a definição do título da Fórmula 1 será diferente a partir deste ano. Os pontos continuam sendo contados no mesmo sistema, 10 ao vencedor, 8 ao segundo, etc., etc.  No entanto, ao final da temporada, será contabilizado qual o piloto que conquistou mais vitórias e não o que tiver mais pontos. A pontuação serviria para critério de desempate e para definir do segundo colocado para trás.

A desculpa é que assim, os pilotos lutariam mais por vitórias, já que os 8 pontos do segundo colocado não serviriam para muita coisa na disputa pelo título.

Uma hipótese: Rubens Barrichello vence seis provas seguidas e marca 60 pontos. As outras 10 ele não disputa. Felipe Massa vence cinco das provas restantes e Lewis Hamilton as outras cinco. Ambos terminaram todas as provas na zona de pontuação. Teriam, em média, entre 70 e 90 pontos. O terceiro colocado na pontuação seria o campeão por ter uma vitória a mais, mesmo tendo abandonado o campeonato.

Enfim, li algumas opiniões a respeito, de colegas, alguns gostaram, outros não. Eu, definitivamente, não gostei. Mesmo que no fim o título fique com algum piloto pelo qual tenho simpatia, acho que essa nova regra é arriscada demais.

O campeonato de construtores, por sua vez, continuará inalterado, sendo decidido pelos pontos.

A FOTA (Associação das Equipes de Fórmula 1) divulgou um comunicado assinado pelo seu presidente, Luca di Montezemolo, expressando seu “desapontamento e preocupação pelo fato de [esta decisão] ter sido tomada de maneira unilateral”.

Se a FOTA já está criticando abertamente desta forma, mesmo sendo intransigentes, acho que os conselheiros da FIA podem acabar revendo esta posição até o início da temporada. É difícil, mas não é impossível, já que as montadoras dão a entender que pressionarão a entidade para que se volte atrás.

Vermelho sangue

Hora de voltar ao trabalho. De tirar os e-mails velhos da gaveta, de voltar a perturbar assessores de imprensa com meu inglês sofrível, deixar o editor do jornal de cabelos em pé pela coluna atrasada e, claro, atualizar o blog. Ainda que em ritmo de volta de apresentação, porque os assuntos por estes dias estão escassos. Sempre a mesma coisa. É Schumacher que diz que quase voltou pra F1; é Alonso na Ferrari daqui dois anos; Fulano, Cicrano, Beltrano e Slim comprando a Honda; Barrichello procurando equipe, e por aí vai.

Hoje, dentre as poucas coisas interessantes, estava a definição da data para o lançamento da Ferrari F2009: 12 de janeiro, segunda-feira próxima. O local? A internet. Iniciativa parecida com a qual comentei há pouco mais de um mês, aqui, da Toyota.

Sim, visando a redução de gastos na Fórmula 1, a mais poderosa das escuderias mostrará seu novo bólido ao mundo pela rede mundial. No mesmo dia, Felipe Massa exibiria o veículo na pista particular de Fiorano, mas sem festanças cheias de pompas para os jornalistas. Para ser sincero, após o anúncio da Toyota esperava que outras equipes fizessem isso, mas nunca pensei que fosse a Ferrari.

Enfim, sinal dos novos tempos. Tempos de redução de gastos, nove equipes (por enquanto, tenho fé) e carros com asas dianteiras gigantes e traseiras minúsculas. Asas estas que, imagino, estão aguçando a curiosidade de todos para saber como ficarão nos carros vermelhos. E que serão os primeiros a serem mostrados oficialmente ao mundo.

Bom, por hoje, é isso. Ainda esta semana pode rolar uma retrospectiva de 2008. Talvez.

P.S.: Faltou dizer que este jornalista-blogueiro está muito %$@#* da vida por 2009 começar com a reforma ortográfica que só vem para atrapalhar a vida. Quem quiser, favor aderir comigo ao Movimento Em Favor Do Trema!

Impressões – Testes coletivos

Bom, depois de trocentos dias de testes coletivos (e uma correria sem fim por aqui), vamos a algumas impressões, coisa rápida.

- Até agora, foram realizados quatro testes coletivos em Jerez de la Frontera. Sébastien Buemi, com a Toro Rosso, liderou todos, sempre com boa margem sobre seus adversários, seja Takuma Sato ou Sébastien Bourdais. (A exceção foi nesta segunda-feira, quando Buemi pilotou uma Red Bull)

- Seguindo o suíço, sempre outro carro da Toro Rosso, com o japonês ou o francês a guiá-lo. Assim, Buemi tem vaga quase certa. Bourdais e Sato provavelmente devem disputar mais na base dos cofrinhos do que no cronômetro. Bruno Senna e Barrichello correm (muito) por fora.

- A segunda melhor equipe dos testes vem sendo a McLaren, que está testando com Pedro de la Rosa, Gary Paffett e Heikki Kovalainen.

- A Toyota está treinando sozinha, no Bahrein. Não dá para comparar com ninguém, até porque, apenas um tempo foi divulgado. Os trabalhos foram conduzidos pelo novato holandês Henki Waldschmidt, que marcou 1:33.430, 1,5 segundo acima do tempo de Trulli na classificação barenita deste ano.

- BMW e Williams, as primeiras a entrar na pista com as configurações aerodinâmicas para 2009, são as que menos vem rendendo no cronômetro. Ainda não dá para ter certeza de um mau rendimento dos carros, já que ainda são as únicas com as duas asas no novo modelo.

- A Renault, com Nelsinho Piquet e Fernando Alonso, continuam atrás de Ferrari, McLaren, e agora também da Toro Rosso.

- Felipe Massa não foi bem. Em seu primeiro dia de testes, o carro teve problemas, atrapalhando seu programa. Ficou apenas na décima posição. No segundo, foi um pouco melhor, ficando na quinta posição, logo atrás de Räikkönen. Hoje, testando no novo circuito do Algarve, em Portugal, Felipe passou mal e abandonou o programa. Apenas ele e Gary Paffett (McLaren) estiveram na pista.

- Pelas fotos que vi, Ferrari e Renault ainda não testaram as novas asas. Idem para Red Bull e Toro Rosso. Se alguém souber de algo diferente, por favor me corrija. A McLaren já testou a asa dianteira. E, pelo menos visualmente, ficou bem melhor que o horrível carro da BMW.

- Além de Waldschmidt, Brendon Hartley foi outro a fazer sua estréia em um F1 esta semana. O neozelandês de apenas 19 anos que testou hoje um Red Bull, em Jerez, foi o terceiro colocado na Fórmula 3 Britânica deste ano. Posição que também ocupou nos testes de hoje, atrás de Buemi e Nick Heidfeld (BMW).

- Também durante a semana, a Force India, que não participa dos testes para poupar (olha as reduções de custo aí), confirmaram Giancarlo Fisichella e Adrian Sutil para a temporada 2009. Menos duas vagas no grid.

Bom, não ficou tão rápido como eu achei, mas pelo menos resume um pouco do que tem acontecido nestas semanas. Amanhã tentarei acompanhar melhor os testes, programados para Algarve e Jerez.

Impressões – Testes em Barcelona 3

Pronto, fim da semana de testes. Agora só a Toyota volta às pistas em alguns dias, já que ela não participou da sessão em Barcelona. Na pista, hoje, mais uma vez a nossa atenção no brasileiro da vez na Honda. Bruno Senna teve seu dia completo de treinos e, diga-se de passagem, foi muito bem.
Comparando com o que fez Di Grassi ontem, Bruno foi 0,607 mais rápido, marcando 1:21.676, contra 1:22.283 do compatriota. Mais que isso, ficou a apenas pouco menos de 3 décimos de Button, que hoje marcou 1:21.387.

Este foi, sem dúvida, um grande passo de Bruno rumo à vaga na Honda. Porque agora, além do nome famoso e da relação de seu tio com a montadora nos anos 90, a tabela de tempos também está a seu favor. Sendo mais rápido, em seu primeiro teste com um F1, que Lucas, que há alguns anos vem testando (desculpem o tom repetitivo, sei que já falei isso na sexta-feira).

Mas se para este brasileiro as coisas parecem estar se encaixando, alguns outros andam com problemas. O próprio Lucas e Rubens Barrichello terão problemas para achar um carro em 2009. Rubinho pode, sim, ter encerrado sua carreira no Brasil. Lucas tem futuro, é bom piloto, mas em 2009 parece ter que se contentar com uma nova vaga de piloto reserva.

Outros que não devem estar felizes são Nelsinho Piquet, que participou dos treinos e em nenhuma vez conseguiu superar Honda, Red Bull e Toro Rosso, que, pelo menos durante o ano, tiveram desempenho abaixo da Renault. Felipe Massa também não tem o que comemorar. As Ferraris, pilotadas por Luca Badoer e Marc Gené foram muito, muito mal nas tabelas de tempo. Enquanto a dupla Red Bull-Toro Rosso dominava a frente, os bólidos vermelhos ficaram, na média, entre dois e três segundos para trás. Desempenho muito pior que o da McLaren, que ficou um segundo atrás das STR.

A Ferrari está na pista para desenvolver o sistema de KERS (eu sei, estou em dívida com este equipamento), então, pode até ser que não estejam forçando e apenas avaliando o desempenho deste recurso. Agora, temos que esperar dezembro, onde haverá uma nova bateria de testes, desta vez em Jerez.

Lá na frente, ainda com carros 2008, Vettel foi novamente o mais rápido, com 1:19.295, cerca de meio segundo mais rápido que seu tempo de ontem. Foi seguido, mais uma vez, pelas Toro Rosso de Bourdais e Buemi. Sato, desta vez, não marcou tempos. A evolução de tempos do alemão talvez seja um ponto para Di Grassi, já que todos marcaram tempos melhores do que ontem, o que pode indicar uma melhor condição de pista. Às vezes analisar uma lista de tempos friamente, engana.

Voltando às equipes da bebida energética, o francês titular de 2008, Sébastien Bourdais, afirmou hoje que os tempos não definirão nada sobre a vaga. Segundo ele, a decisão do time é “puramente financeira”. Ou seja, quem levar um patrocínio, leva a vaga.

Mas, repetindo os últimos dias, vamos lá, ver o que Bruno Senna declarou no comunicado da Honda.

BRUNO SENNA

“Hoje foi um dia muito bom e estou muito feliz. Eu estive muito mais confortável e confiante no carro e acho que mostrei isso no tempo de volta, tanto no tempo atual quanto na consistência. Nós acertamos algumas boas configurações e pudemos fazer muito progresso durante o dia. Ainda que o que eu tenha feito hoje seja bom o suficiente, agora o time é que decide e eu respeito isso. Mas, para mim, pessoalmente, pela minha primeira vez em um carro de Fórmula Um, eu tenho que estar feliz com o que eu alcancei hoje. Dirigir um Fórmula Um é uma sensação muito especial e muito fácil descobrir porque a categoria é o topo do automobilismo. É muito diferente de qualquer outra coisa que você possa dirigir e eu apenas quero ser mais e mais rápido. Além do trabalho duro e do foco desta semana, eu gostei muito de mim mesmo. O time Honda é muito profissional e estou orgulhoso de ter passado um tempo com eles durante esta semana tão especial para mim.”

Uma diferença do comunicado de hoje foi que houve também a fala de Ross Brawn, que a respeito da escolha da equipe, disse: “Lucas e Bruno foram, ambos, admiráveis durante a semana e seus evidentes entusiasmo e comprometimento tornou um prazer trabalhar com eles. Agora nós vamos tomar algum tempo para considerar cuidadosamente nossas impressões sobre este teste antes de chegarmos a qualquer conclusão”.

É, teremos que esperar mais um pouco. Aliás, não me surpreenderia se ambos fossem chamados para os testes de dezembro, na Espanha. E também não me surpreenderia se Barrichello aparecesse para treinar.

Só para concluir, ontem esqueci de colocar a tabela de tempos dos testes, então, cá estão a de ontem e de hoje.

Felipe Massa: o melhor do mundo

No início do ano, foi lançada uma revista virtual sobre automobilismo, a GPWeek, iniciativa de uma equipe formada por ingleses e australianos. A princípio, a revista seria publicada apenas após fins de semana com GPs. Depois, provavelmente com um aumento de público, as edições virtuais começaram a aparecer mesmo sem provas de Fórmula 1.

A primeira capa, em março de 2008, estampava a frase “Pegue-me se puder” e as fotos de Casey Stoner e Kimi Räikkönen, seguidas da pergunta “Alguém pode bater Casey ou Kimi?”. Pois bem, na MotoGP Casey foi batido com facilidade por Valentino Rossi, enquanto o finlandês da Fórmula 1 foi superado por Lewis Hamilton, Felipe Massa e apenas empatou com Robert Kubica.

Em setembro, a polêmica foi ainda maior. Na capa figurava Lewis Hamilton no pódio do GP da Bélgica – corrida em que ele foi punido e a vitória acabou com Massa – e a palavra “Roubaram!” em letras garrafais. Por ser uma publicação inglesa, comecei a desconfiar do seu conteúdo e vê-la com outros olhos, afinal, para a imprensa do mundo todo, a punição foi justa. Mas esta desconfiança só durou até hoje.

Porque na edição final de 2008 a GPWeek colocou um ranking próprio dos cinco melhores pilotos do ano, por categoria, F1, MotoGP e Mundial de Rali. Mas, nesta manhã, foi enorme minha surpresa ao “abrir” a publicação e ver que Felipe Massa encabeça a lista da revista inglesa.

A matéria, inclusive, começa com uma pergunta, como se estivesse sendo feita pelos leitores: “O quê? Sem Lewis Hamilton na primeira posição?”. No texto, a revista explica que os dois pilotos estiveram iguais durante toda a temporada, e que acabaram separados por apenas um ponto em seu final. Diz ainda que o brasileiro teve um desenvolvimento “assombroso” durante o ano.

A publicação também credita o título de Hamilton aos reveses sofridos pelo brasileiro, como a quebra do motor na Hungria e o desastre no pit-stop de Cingapura. Diz ainda, que se não fossem os problemas, Felipe teria sido campeão antes mesmo de chegar ao Brasil e que, a má sorte o perseguiu até a última curva do campeonato.

Para ser sincero, pessoalmente não saberia apontar qual dos dois foi melhor durante o ano todo. Hamilton foi mais regular, cometendo erros do meio para o fim da temporada, enquanto Felipe errou bastante no início da temporada. A evolução do brasileiro realmente foi evidente, mas, eu daria empate técnico.

Para quem quiser conferir a matéria e o ranking, está em http://mag.gpweek.com, página 38.

Ah, sim, Lewis foi o segundo, seguido de Kubica (não concordo), Vettel e Alonso.

Ainda na lista da revista, Valentino Rossi foi o melhor na MotoGP e Sebastien Loeb no Mundial de Rali.

As perguntas que não querem calar – ou não?

Pois bem… ainda que o público deste blog ainda seja pequeno, estou quase chegando em 100 visitas em um mês. Obrigado ao povo do emprego 1 e do emprego 2, que é só quem entra aqui por enquanto, rs, mas a gente chega lá.

Então, para tentar levantar a audiência, vai um pouquinho de sensacionalismo. Recebi hoje um e-mail da Toyota. Sim, ela mesma, a equipe de Timo Glock, o inimigo público nº 1 da torcida brasileira. Como já disse, duvide-o-dó que ele tenha feito algo de propósito para ajudar Hamilton. Mas, vamos dar voz ao alemão. Na mensagem, continha um Q&A de Glock, ou seja, respostas de perguntas ao piloto. Pra dizer a verdade, nem sei se eu podia colocar na íntegra, se eu for processado, eu tiro, rs. Vou traduzir livremente, já que meu inglês não é totalmente fluente. Aí está:

Como a chuva no fim da corrida afetou sua estratégia?

TG: Nas últimas voltas nós vimos que tínhamos a oportunidade de subir algumas posições em função da chuva. Começou a garoar em alguns pontos do circuito, quando faltavam seis voltas para o final e naquele momento, todos estavam com pneus para pista seca. Nós tomamos a decisão de permanecer com os pneus pra seco, e mesmo que a intensidade da chuva estivesse crescendo, nós tínhamos certeza que podíamos ganhar posições quando os outros carros parassem para colocar pneus de chuva e porque foi apenas nas últimas duas voltas que os pneus de chuva ficaram superiores. Nós ficamos e eu subi para quarto, mas não foi fácil naquelas condições das últimas voltas.

Como foi se manter na pista molhada com pneus para seco?

TG: Não foi tão ruim até a última volta, quando realmente a chuva ficou muito forte e estava simplesmente impossível. Só manter o carro na pista já estava difícil, porque estava muito molhado e o carro estava simplesmente indirigível naquelas condições. Eu estava escorregando por toda parte, com absolutamente nenhuma aderência.

Você estava facilitando na última volta?

TG: Absolutamente, não! Foi completamente o oposto; a última volta foi uma das voltas mais difíceis que eu fiz na Fórmula 1, porque não havia aderência alguma e com pneus para seco estava quase impossível manter o carro na pista. Eu estava forçando muito para manter a quarta posição e se você olhar para os tempos de volta, eu estava ainda mais rápido que Jarno [Trulli, seu companheiro de Toyota] na última volta, sendo que ele era o único carro que também tinha pneus para seco naquele momento.

Foi a decisão certa ficar com pneus para seco?

TG: Não há dúvida alguma sobre isso. Nós estávamos em sétimo antes da chuva cair e nós provavelmente teríamos terminado lá se estivesse totalmente seco. Como nós terminamos em sexto, isso mostra que a estratégia foi a certa.

Você entende a significância da sua disputa com Lewis Hamilton na última volta?

TG: Para ser honesto, eu estava correndo para a equipe Toyota e meu lugar, o que é o certo a se fazer. Eu não sabia que Lewis estava logo atrás de mim. A equipe me disse que Sebastian Vettel estava me alcançando e me mantiveram informado de sua posição, mas eu estava muito concentrado em manter o carro na pista.  Eu sequer sabia que Lewis havia me ultrapassado depois da prova. Eu fui passado por três ou quatro carros na última volta e não foi fácil saber o que estava acontecendo.

Esta foi sua primeira temporada na Toyota, como você a avalia?

TG: Foi bem positiva para mim. No começo da temporada, eu me dei uma meta de conseguir marcar 20 pontos e no final eu consegui 25, com um pódio em Budapeste, então estou muito feliz com isso. As primeiras corridas foram difíceis, pois eu estava me ajustando em um novo carro e uma nova equipe, mas todos nós trabalhamos muito duro para melhorar, e fizemos um bom progresso. Terminar em quarto no Canadá foi um grande incentivo para mim e para o time, mas o ponto da virada foi em Hockenheim, onde eu estava realmente competitivo na corrida até ter um problema mecânico. Depois daquilo eu estava lutando muito bem pela frente do grid em todas as corridas e marcamos muitos pontos. Mas este é apenas o primeiro passo e na próxima temporada eu quero alcançar muito mais, então nós ainda estamos trabalhando duro para dar o próximo passo.

Bom, é isso. Eu perguntaria: “para quem você estava torcendo, Lewis ou Felipe?” Mas isso não seria nada profissional de minha parte.

Edit: Acabo de encontrar o mesmo material no site da Toyota, em inglês. Quem quiser conferir, está em http://www.toyota-f1.com/public/en/gp2008/18_brazil/review_debrief.html

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