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As perguntas que não querem calar – ou não?

Pois bem… ainda que o público deste blog ainda seja pequeno, estou quase chegando em 100 visitas em um mês. Obrigado ao povo do emprego 1 e do emprego 2, que é só quem entra aqui por enquanto, rs, mas a gente chega lá.

Então, para tentar levantar a audiência, vai um pouquinho de sensacionalismo. Recebi hoje um e-mail da Toyota. Sim, ela mesma, a equipe de Timo Glock, o inimigo público nº 1 da torcida brasileira. Como já disse, duvide-o-dó que ele tenha feito algo de propósito para ajudar Hamilton. Mas, vamos dar voz ao alemão. Na mensagem, continha um Q&A de Glock, ou seja, respostas de perguntas ao piloto. Pra dizer a verdade, nem sei se eu podia colocar na íntegra, se eu for processado, eu tiro, rs. Vou traduzir livremente, já que meu inglês não é totalmente fluente. Aí está:

Como a chuva no fim da corrida afetou sua estratégia?

TG: Nas últimas voltas nós vimos que tínhamos a oportunidade de subir algumas posições em função da chuva. Começou a garoar em alguns pontos do circuito, quando faltavam seis voltas para o final e naquele momento, todos estavam com pneus para pista seca. Nós tomamos a decisão de permanecer com os pneus pra seco, e mesmo que a intensidade da chuva estivesse crescendo, nós tínhamos certeza que podíamos ganhar posições quando os outros carros parassem para colocar pneus de chuva e porque foi apenas nas últimas duas voltas que os pneus de chuva ficaram superiores. Nós ficamos e eu subi para quarto, mas não foi fácil naquelas condições das últimas voltas.

Como foi se manter na pista molhada com pneus para seco?

TG: Não foi tão ruim até a última volta, quando realmente a chuva ficou muito forte e estava simplesmente impossível. Só manter o carro na pista já estava difícil, porque estava muito molhado e o carro estava simplesmente indirigível naquelas condições. Eu estava escorregando por toda parte, com absolutamente nenhuma aderência.

Você estava facilitando na última volta?

TG: Absolutamente, não! Foi completamente o oposto; a última volta foi uma das voltas mais difíceis que eu fiz na Fórmula 1, porque não havia aderência alguma e com pneus para seco estava quase impossível manter o carro na pista. Eu estava forçando muito para manter a quarta posição e se você olhar para os tempos de volta, eu estava ainda mais rápido que Jarno [Trulli, seu companheiro de Toyota] na última volta, sendo que ele era o único carro que também tinha pneus para seco naquele momento.

Foi a decisão certa ficar com pneus para seco?

TG: Não há dúvida alguma sobre isso. Nós estávamos em sétimo antes da chuva cair e nós provavelmente teríamos terminado lá se estivesse totalmente seco. Como nós terminamos em sexto, isso mostra que a estratégia foi a certa.

Você entende a significância da sua disputa com Lewis Hamilton na última volta?

TG: Para ser honesto, eu estava correndo para a equipe Toyota e meu lugar, o que é o certo a se fazer. Eu não sabia que Lewis estava logo atrás de mim. A equipe me disse que Sebastian Vettel estava me alcançando e me mantiveram informado de sua posição, mas eu estava muito concentrado em manter o carro na pista.  Eu sequer sabia que Lewis havia me ultrapassado depois da prova. Eu fui passado por três ou quatro carros na última volta e não foi fácil saber o que estava acontecendo.

Esta foi sua primeira temporada na Toyota, como você a avalia?

TG: Foi bem positiva para mim. No começo da temporada, eu me dei uma meta de conseguir marcar 20 pontos e no final eu consegui 25, com um pódio em Budapeste, então estou muito feliz com isso. As primeiras corridas foram difíceis, pois eu estava me ajustando em um novo carro e uma nova equipe, mas todos nós trabalhamos muito duro para melhorar, e fizemos um bom progresso. Terminar em quarto no Canadá foi um grande incentivo para mim e para o time, mas o ponto da virada foi em Hockenheim, onde eu estava realmente competitivo na corrida até ter um problema mecânico. Depois daquilo eu estava lutando muito bem pela frente do grid em todas as corridas e marcamos muitos pontos. Mas este é apenas o primeiro passo e na próxima temporada eu quero alcançar muito mais, então nós ainda estamos trabalhando duro para dar o próximo passo.

Bom, é isso. Eu perguntaria: “para quem você estava torcendo, Lewis ou Felipe?” Mas isso não seria nada profissional de minha parte.

Edit: Acabo de encontrar o mesmo material no site da Toyota, em inglês. Quem quiser conferir, está em http://www.toyota-f1.com/public/en/gp2008/18_brazil/review_debrief.html

Essa doeu

Nunca vi uma vitória tão dolorida. É difícil falar alguma coisa. Porque, como antecipei, não assisti a corrida toda. Estava do lado de fora do autódromo, ouvindo os roncos dos motores, quando a largada foi dada, cumprindo obrigações profissionais do meu emprego 1. Porque quando cheguei em casa, faltavam 12 voltas para o final e o Vettel pressionava Hamilton, que era o quarto, não valia nada. Porque começou a chover e todo mundo parou, menos o Glock, que assumiu a quarta posição. Porque o Vettel passou o inglês e colocou nove dedos de Felipe no caneco. Porque na última curva, numa decisão digna de Indy, os pneus da Toyota não agüentaram. E principalmente porque, pela comemoração da Ferrari, eu apostaria alto que eles devem ter dito no rádio “congratulations, you are the champion”.

Se não tivesse chovido, se Hamilton tivesse terminado em quarto, não doía tanto.

E eu nunca tive tanta raiva de um piloto intermediário. E ok, os pneus pra seco de Glock realmente não agüentaram, ele não abriu deliberadamente para o inglês ser campeão. Mas vamos combinar que, pelo menos pela imagem da Globo, estranho o alemão ter sido o único piloto a ir lá cumprimentar o campeão, não?

Enfim, título merecido de Hamilton, piloto talentoso, mas tido como “sujo” por alguns colegas. Até aí, Schumacher venceu títulos de forma não muito esportiva. Uma conquista de talento, regularidade e muita, mas muita sorte na última curva do ano. Mas tudo bem, 2009 está aí.

P.S.: Vai aparecer gente dizendo nas conversas de botequim que o Glock é alemão, que a Mercedes é alemã, e por aí vai. Nada a ver. A Toyota tem sua base na Alemanha também e é concorrente direta de mercado com a fornecedora da McLaren, portanto, sem teorias da conspiração, não deu, é hora de levantar a cabeça e repensar todos os erros cometidos no ano.



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